Toda esta noite o rouxinol chorou,
Gemeu, rezou, gritou perdidamente!
Alma de rouxinol, alma de gente,
Tu és, talvez, alguém que se finou!
Tu és, talvez, um sonho que passou,
Que se fundiu na Dor, suavemente...
Talvez sejas a alma, a alma doente
Dalguém que quis amar e nunca amou!
Toda a noite choraste... e eu chorei
Talvez porque, ao ouvir-te, adivinhei
Que ninguém é mais triste do que nós!
Contaste tanta coisa à noite calma,
Que eu pensei que tu eras a minh'alma
Que chorasse perdida em tua voz!...
Sonetos - Florbela Espanca
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2 comentários:
Não acredito meu rouxinol que andes de alma perdida...
O teu cântico-choro tem sido um bálsmo para os meus ouvidos.
Lindo este poema... Ninguém melhor que tu para encontrar e dedicar-me poemas...
É bom saber-te por perto.
Beijinhos
Violeta
Como gostei do teu comentário, violeta linda e perfumada.
Ando mesmo, minha querida violeta de alma perdida por ti. Por perto ando sempre e fico-me a cantar-te mesmo por baixo da tua janela à espera que me catives e me metas em uma gaiola para me ouvires e veres a cada instante.
beijinhos, beijinhos
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