quinta-feira, 30 de abril de 2009

A UM CORPO PERFEITO

Nenhum corpo mais lácteo e sem defeito,
Mais róseo, escultural, ou feminino,
Pode igualar-se ao seu branco e divino
Imóvel, nu, sobre o comprido leito! -

Nada lhe iguala! - O ferro do assassino
Podia, hoje, matá-la, que o meu peito
Seria o esquife embalsamado e fino
Daquele corpo sem rival perfeito.

Por isso é muito altiva e apetecida.
E o gozo sensual de a ver vencida
Há-de ser forte, estranho, singular...

Como o das cousas dignas de castigo,
- Ou qual amante sacerdote antigo,
Derrubando uma deusa dum altar.

Gomes Leal - in Claridades do Sul
Assírio & Alvim

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