quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

BARCO

De manhã, que medo que me achasses feia!
Acordei, tremendo, deitada na areia
Mas logo os teus olhos disseram que não,
E o Sol penetrou no meu coração.

Vi depois numa rocha, uma cruz,
E o teu barco negro dançava na luz
Vi teu braço acenando, entre as velas já soltas
Dizem as velhas da praia, que não voltas:

São loucas! São loucas!

Eu sei, meu amor,
Que nem chegaste a partir,
Pois tudo, em meu redor
Me diz, qu'estás sempre comigo.

No vento que lança areia nos vidros;
Na água que canta no fogo mortiço;
No calor do leito, nos bancos vazios;
Dentro do meu peito, estás sempre comigo.

(David Mourão Ferreira)

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