quarta-feira, 25 de março de 2009

Confissão a uma violeta

Eu confesso-me a ti, - doce flor delicada -
Recolhida, modesta, e sol da singeleza,
Das vezes que através da verde natureza
Fiz soar com orgulho a bulha do meu nada!

Em vez de amar a vida humilde, chã, calada,
Do sábio estóico e são, exemplo de inteireza,
Quantas vezes cuspi no Justo e na Beleza
E cri-me o Fogo e a Luz da geração criada!

Orgulho! orgulho vão! Vaidade e mais vaidade!
Como disse o rei sábio e justo à claridade
Dos astros da Judeia, e ao giro dos planetas...

Feliz de quem, como eu, ri das Academias,
E estuda as novas leis e as grandes Teorias,
Nas folhas feminis e meigas das violetas.

Gomes Leal in Claridades do Sul
Assírio & Alvim

1 comentário:

Violet disse...

Ai se eu pudesse amar assim perdidamente...