terça-feira, 24 de março de 2009

A lanterna

O sábio antigo andou pelas ruas d'Atenas,
Com a lanterna acesa, errante, à luz do dia,
Buscando o varão forte e justo da Utopia,
Privado de paixões e d'emoções terrenas.

Eu também, que aborreço as coisas vãs, pequenas,
E que mais alto pus a sã Filosofia,
Há muito busco em vão - há muito, quem diria!-
O mais cruel ideal das concepções serenas.

Tenho buscado em balde, em vão por todo o mundo.
Esconde-se o ideal no sítio mais profundo,
No mar, no inferno, em tudo, aonde existe a dor...

De sorte que hoje, enfim, descrente, resignado,
Concentrei-me em mim só, num tédio indignado,
E apaguei a lanterna. - É um sonho o Amor.

Gomes Leal in Claridades do Sul
Assírio & Alvim

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