quarta-feira, 22 de julho de 2009

SAUDADE

SECULOS são, na vida que enfastia,
Estes dias de exilio amargurados;
Um por um, mágoa a mágoa, vão contados
Em lenta e cruelissima agonia.

Oh! roubemos-lhe ao menos este dia,
Ao padecer que todos trás roubados;
Sejam pela amizade consagrados
Ao casto amor instantes de alegria.

Tem prazeres também a desventura:
A propria carrancuda adversidade
Sorri co'a esp'rança que lhe luz futura.

Vem, amigo, no seio da amizade
Festeja a espôsa, sonha co'a ventura
Que um dia hade matar tanta saudade.

Almeida Garrett (Londres 1828) Lírica Completa
Arcádia

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