terça-feira, 2 de março de 2010

Horas Rubras

"Horas profundas, lentas e caladas,
Feitas de beijos sensuais e ardentes,
De noites de volúpia, noites quentes
Onde há risos de virgens desmaiadas.

Ouço as olaias rindo desgrenhadas...
Também astros em fogo, astros dementes,
E do luar os beijos languscentes
São pedaços de prata pelas estradas...

Os meus lábios são brancos como lagos...
Os meus braços são leves como afagos,
Vestiu-os o luar de sedas puras...

Sou chama e neve branca e mistérios...
E, sou, talvez, na noite voluptuosa,
Ó meu Poeta, o beijo que procuras!"


Florbela Espanca (1894-1930)

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