domingo, 14 de março de 2010
S.O.S.
Meus sentidos votaram a lei da procura
E os augúrios colhidos nas minhas entranhas
Prometeram as lutas que vencem a morte.
E foi por isso, mulher,
E foi por isso que antes de eu nascer
Se escreveu no meu sangue
A mensagem que havias de ler.
Mas onde moras?
Tu, que guardas em teu ventre
Um lugar para o meu filho!...
Onde choras,
Se a multidão te pisa, longe dos meus braços...
Onde cantas
Se pressentes
A cadência dos meus passos?...
Vai-se-me tudo em morte, a procurar-te
Nesse golfo revolto que nos engoliu,
Mas eu quero inventar outra vida,
E tenho os planos:
O labor é teu.
Onde moras,
Onde cantas e choras,
Tu de quem me falaram antes de eu nascer?...
E de quem falarei, para além,
Quando eu morrer!
Escuta agora uma garganta enxuta,
Gritando no meu corpo
Esbracejante,
Presa e rebelde
No abraço do mar.
Escuta agora uma garganta rouca
Enquanto a água é pouca para me afogar.
Escuta e não juntes a cinza das velas
Do barco do tempo
Que nos ardeu
- Traz o beijo que resolve
E dissolve as entranhas
Ainda que não sejas tu que venhas.
Políbio Gomes dos Santos (Ansião, 1911-1939) in Poemas
Campo das Letras
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário