sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Amo-te Muito, Meu Amor, e Tanto



Amo-te muito, meu amor, e tantoque, ao ter-te, amo-te mais, e mais ainda
depois de ter-te, meu amor. Não finda
com o próprio amor o amor do teu encanto.


Que encanto é o teu? Se continua enquanto
sofro a traição dos que, viscosos, prendem,
por uma paz da guerra a que se vendem,
a pura liberdade do meu canto,
um cântico da terra e do seu povo,
nesta invenção da humanidade inteira
que a cada instante há que inventar de novo,
tão quase é coisa ou sucessão que passa...

Que encanto é o teu? Deitado à tua beira,
sei que se rasga, eterno, o véu da Graça.



JORGE DE SENA, in POESIA (Ed. 70, 1988)

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