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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Os Teus Olhos

"Direi verde 

do verde dos teus olhos 

de um rugoso mais verde 
e mais sedento 

Daquele não só íntimo 
ou só verde 

daquele mais macio    mais ave 
ou vento 

Direi vácuo 
          volume 
direi vidro 

Direi dos olhos verdes 
os teus olhos 
e do verde dos teus olhos direi vício 

Voragem mais veloz 
mais verde 
            ou vinco 
voragem mais crispada 
ou precipício"

Maria Teresa Horta, in 'Candelabro' 

quinta-feira, 21 de março de 2013

Fugir com o cientista

 Letra de: João Afonso Lima

Música de: João Afonso Lima
...
estaremos juntos separados como amantes
nesta viagem com água sem retorno
entre as queimadas vento norte viajante
é o cacimbo africano moçambique

ao terraço e à varanda do avô
passeios da dimensão do anarquista
ao teatro ao professor à fantasia
no matope um sono de marimbas

limpidez das areias, tem
em teias de caniço
fugir com o cientista, tem
estrelas a perder de vista

são trovoadas que caem no capim
o som do zinco o sentido às caminhadas
passos compridos e a voz dos velhos sábios
são a memória da sombra das acácias

ondas que cavam as areias do bilene
e as histórias que contava josé bila
ventos parados ao subir às papaieiras
e a maravilha do canto do magaíça

limpidez das areias, tem
em teias de caniço
fugir com o cientista, tem
estrelas a perder de vista
 
 
http://www.youtube.com/watch?v=KJLxgK4qBiU&feature=share&list=PL64997E4D4E47892F

sexta-feira, 5 de junho de 2009

O primeiro homem

"Era como uma árvore da terra nascida
Confundindo com o ardor da terra a sua vida,
E no vasto cantar das marés cheias
Continuava o bater das suas veias.

Criados à medida dos elementos
A alma e os sentimentos
Em si não eram tormentos
Mas graves, grandes, vagos,
Lagos
Reflectindo o mundo,
E o eco sem fundo
Da ascensão da terra nos espaços
Eram os impulsos do seu peito
Florindo num ritmo perfeito
Nos gestos dos seus braços".


Sophia de Mello Breyner Andresen
Obra Poética I
Caminho