terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

AS SAIAS

A Agostinho de Campos


Amei-te de saias curtas,
No tempo em que eras menina;
Do quintal por entre as murtas,
Da praia na areia fina.

Depois, de saias compridas,
No tempo das ilusões...
Que beijos às escondidas!
Que valsas pelos salões!

Mais tarde, as saias estreitas,
Amei-te de travadinha...
Ó curvas mais que perfeitas!
Sinuosidade da linha!

Depois - a mim não te furtas!
Amei-te, passados anos,
Outra vez de saias curtas,
Mas com as botas de canos!

Já vês... que importam as saias?
A minha alma é sempre tua,
Tua, mesmo que tu saias
Nua, ou de calças, à rua!

Nua, sim! nua ou de calças!
Sedas e enfeites, que são?
Como as botas que tu calças,
Acessórios na paixão!

A essência é a chama erradia
Que o teu olhar acendeu,
E em mim fixou, certo dia
Que se encontrou com o meu...

Chama a tremer tão distante,
Tão longe, na Mocidade,
Como uma estrelinha errante
No céu da minha saudade.

António Feijó - in Poesias Completas
Edições Caixotim

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