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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Poema de Amor

Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor.
E é o que eu sei fazer com mais delicadeza!

A nossa natureza
Lusitana
Tem essa humana
Graça
Feiticeira
De tornar de cristal
A mais sentimental
E baça
Bebedeira.

Mas ou seja que vou envelhecendo
E ninguém me deseje apaixonado,
Ou que a antiga paixão
Me mantenha calado
O coração
Num íntimo pudor,
— Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor.

Miguel Torga, in 'Diário V'

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Mais nós

Dizem que a gente tem o que precisa.
Não o que a gente quer. Tudo bem.
Eu não preciso de muito. 
Eu não quero muito.
Eu quero mais. 
Mais paz. Mais saúde.
Mais dinheiro. 
Mais poesia. Mais verdade.
Mais harmonia. 
Mais noites bem dormidas.
Mais noites em claro. 
Mais eu. Mais você.
Mais sorrisos, beijos e 
aquela rima grudada na boca.
Eu quero Nós. Mais nós. Grudados.
Enrolados. Amarrados.
Jogados no tapete da sala.
Nós que não atam nem desatam.
Eu quero pouco e quero mais.
Quero você. Quero eu.
Quero domingos de manhã.
Quero cama desarrumada, 
lençol, café e travesseiro.
Quero seu beijo. Quero seu cheiro.
Quero aquele olhar que não cansa,
o desejo que escorre pela boca e 
o minuto no segundo seguinte:
nada é muito quando é demais.

(Caio F. Abreu)