Dizem que a gente tem o que precisa.
Não o que a gente quer. Tudo bem.
Eu não preciso de muito.
Eu não quero muito.
Eu quero mais.
Mais paz. Mais saúde.
Mais dinheiro.
Mais poesia. Mais verdade.
Mais harmonia.
Mais noites bem dormidas.
Mais noites em claro.
Mais eu. Mais você.
Mais sorrisos, beijos e
aquela rima grudada na boca.
Eu quero Nós. Mais nós. Grudados.
Enrolados. Amarrados.
Jogados no tapete da sala.
Nós que não atam nem desatam.
Eu quero pouco e quero mais.
Quero você. Quero eu.
Quero domingos de manhã.
Quero cama desarrumada,
lençol, café e travesseiro.
Quero seu beijo. Quero seu cheiro.
Quero aquele olhar que não cansa,
o desejo que escorre pela boca e
o minuto no segundo seguinte:
nada é muito quando é demais.
(Caio F. Abreu)
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segunda-feira, 7 de novembro de 2011
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Ofício de amor
"Se conheces o prazer, não escatimes o beijo
pois o prazer de amar não comporta medida.
Deixa-te beijar e beija tu depois,
que nos lábios sempre é onde o amor perdura.
Não beijes, não, como o escravo e o crente,
mas como o viandante à fonte oferecida.
Deixa-te beijar - ardente sacrifício -
quanto mais queima mais fiel é o beijo.
Que terias feito se tu morresses antes,
sem mais fruto do que a aragem no rosto?
Deixa-te beijar, e no peito, nas mãos
- amante ou amada - a taça muito alta.
Quando beijes, bebe, o copo sare o medo:
beija no pescoço, o sítio mais formoso.
Deixa-te beijar, e se ainda te apetece
beija de novo, pois a vida é contada."
Jean Salvat-Papasseit
poeta da Catalunha (1894-1924)
Trad.:João Bento
pois o prazer de amar não comporta medida.
Deixa-te beijar e beija tu depois,
que nos lábios sempre é onde o amor perdura.
Não beijes, não, como o escravo e o crente,
mas como o viandante à fonte oferecida.
Deixa-te beijar - ardente sacrifício -
quanto mais queima mais fiel é o beijo.
Que terias feito se tu morresses antes,
sem mais fruto do que a aragem no rosto?
Deixa-te beijar, e no peito, nas mãos
- amante ou amada - a taça muito alta.
Quando beijes, bebe, o copo sare o medo:
beija no pescoço, o sítio mais formoso.
Deixa-te beijar, e se ainda te apetece
beija de novo, pois a vida é contada."
Jean Salvat-Papasseit
poeta da Catalunha (1894-1924)
Trad.:João Bento
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