sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

SEUS OLHOS

Seus olhos - que eu sei pintar
O que os meus olhos cegou -
Não tinham luz de brilhar,
Era chama de queimar;
E o fogo que a ateou
Vivaz, eterno, divino
Como facho do Destino.

Divino, eterno! - e suave
Ao mesmo tempo: mas grave
E de tão fatal poder,
Que, um só momento que a vi,
Queimar toda a alma senti...
nem ficou mais de meu ser,
senão a cinza que ardi.

Almeida Garrett in Folhas Caídas

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