Tu és a terra em que repouso.
Macia, suave, terna e dura o quanto baste
a que teus braços como tuas pernas
tenham de amor a força que me abraça.
És também pedra qual a terra às vezes
contra que nas arestas me lacero e firo,
mas de musgo coberta refrescando
as próprias chagas de existir contigo.
E sombra de árvores, e flores e frutos,
rendidos a meu gosto e meu sabor.
E uma água cristalina e murmurante
que me segreda só de amor no mundo.
És a terra em que pouso. Não paisagem,
não Madre Teresa nem raptada ninfa
de bosques e montanhas, Terra humana
em que me pouso inteiro e para sempre.
Jorge de Sena - Poesia III - Moraes Editores
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1 comentário:
Terra, sim. Chão ameno onde enconchada, me regenero em ti de ti, cama segura que me consola e reenergiza. Terra em que repousamos amor, infinita e absolutamente...
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