Da aurora que surge com mantos lustrosos
Eu amo os sorrisos d'encanto sem fim;
Mas inda mais amo teus lábios formosos,
Teus lábios sorrindo d'amor para mim.
Eu amo as estrelas dos plainos infindos
Vertendo num lago sereno fulgor;
Mas inda mais amo teus olhos tão lindos
Vertendo em minh'alma seus raios d'amor.
Em serras, ao longe, cobertas de gelos,
As ondas eu amo d'argênteo luar;
Mas inda mais amo teus louros cabelos
Que em ombros de neve costumas soltar.
Da brisa das tardes eu amo os lamentos,
Dos bosques sombrios adoro o cantor;
Mas inda mais amo teus brandos acentos
Em ternos descantes, em quebros d'amor.
Eu amo a florinha d'ao pé da corrente,
E o cálice puro da nívea cecém;
Mas inda mais amo tu'alma inocente,
Tão pura que os anjos mais puros a não tem.
Eu amo dos astros a luz palpitante,
E as vagas longínquas arfando no mar;
Mas inda mais amo teu seio d'amante,
Unido a meu seio, d'amor a pulsar.
Eu amo na brisa, que doce murmura,
Colher os perfumes da rosa em botão;
Mas inda mais amo sorver a doçura
Dos beijos que, ardendo, teus lábios me dão.
Eu amo-te, eu amo-te, ó virgem celeste,
Meus dias na terra, minh'alma, são teus;
Eu amo-te, ó anjo, que à terra vieste,
O amor ensinar-me dos anjos dos céus.
Soares de Passos in Poesias
Lello & Irmão - Editores
Porto
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