sábado, 15 de novembro de 2008

SEMPRE

Pensas que te não vejo a ti? Bom era!
Gravei tão vivamente n'alma a doce
E bela imagem tua, que eu quisera
Deixar de contemplar-te só que fosse
Um momento, e não posso, não consigo.

Foges-me, escondes-te e, que importa? esculpes
Mais fundo ainda os indeléveis traços!
Realça-te o retrato! E não me culpes!
Culpa-te antes a ti!... Sigo-te os passos!
Vejo-te sempre! trago-te comigo!

(João de Deus) in Campo de Flores Volume I
(livraria bertrand)

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