quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

DIZE-ME, AMOR, COMO TE SOU QUERIDA

"Dize-me, amor, como te sou querida,
Conta-me a glória do teu sonho eleito,
Aninha-me a sorrir junto ao teu peito,
Arranca-me dos pântanos da vida.
Embriagada numa estranha lida,
Trago nas mãos o coração desfeito,
Mostra-me a luz, ensina-me o preceito
Que me salve e levante redimida!
Nesta negra cisterna em que me afundo,
Sem quimeras, sem crenças, sem ternura,
Agonia sem fé dum moribundo,
Grito o teu nome numa sede estranha,
Como se fosse, amor, toda a frescura
Das cristalinas águas da montanha!"


Florbela Espanca, in
A Mensageira das Violetas

1 comentário:

rouxinol disse...

Comento com um poema de AMOR sem palavras. Por vezes as palavras são ocas, desgastadas...comento com palavras novas, quentes, palavras que nunca ninguém ouviu, mas que tu conheces...